
"Um jovem valente e impetuoso, esteve durante cinco anos apaixonado por uma mulher. Num dos olhos da sua beldade havia uma manchinha, mas o amante, quando admirava a beleza da amada, nunca a via. Como poderia o homem, tão apaixonado, reparar num minúsculo defeito? Com o tempo, o amor começou a diminuir e ele reconquistou o domínio de si mesmo. Foi então que ele notou a mancha e perguntou à mulher como aparecera aquilo. E ela: "isso apareceu na ocasião em que teu amor começou a esfriar. Quando teu amor por mim se tornou defeituoso, meu olho se tornou defeituoso para ti". (Farid Ud-Din Attar. A conferência dos pássaros).
Existem alguns detalhes que devemos observar quando pretendemos fazer com que um relacionamento atinja um estágio harmônico, onde tudo pareça fluir naturalmente. Devemos por exemplo, ter consciência de que, ao notar as falhas de nosso parceiro, estamos na verdade observando nossos próprios defeitos. E nada é mais irritante em outras pessoas, do que nossos próprios maus hábitos.
Se o outro é possessivo, nervoso, desligado, avarento, explosivo, etc, isso deve ser trazido para discussão, de modo que essas falhas de relacionamento não fiquem saturando o mundo material. Ao procurar discutir esses assuntos, poderemos observar que muitos desses hábitos também são praticados por nós. Se ficamos irritados por alguém que está falando alto demais, podemos observar que também temos esse costume.
Observar-se e procurar corrigir a si mesmo antes de tentar emendar os outros, é um grande passo para que os relacionamentos atinjam um nível melhor, ultrapassando os limites do puramente material, chegando a um entendimento astral.
Os defeitos do outro na verdade, devem ser encarados como positivos, pois demonstram que não existe o receio de mostrar-se ao outro da maneira que verdadeiramente é. Ou seja, amamos mais os defeitos do que as qualidades no amor de almas gêmeas.





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